Sonangol vai pagar U$$ 1,4 bi por fatia da Oi na Unitel até o fim de janeiro, diz jornal

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A Sonangol vai comprar a fatia de 25% da Oi (OIBR3) na operadora de telefonia angolana Unitel até o fim de janeiro, as informações foram confirmadas pelo jornal Expresso junto a uma fonte da petrolífera angolana.

Com esta operação, o atual presidente de Angola João Lourenço, que vai travar uma batalha judicial com Isabel dos Santos, desfere o primeiro golpe de misericórdia na filha do seu antecessor após os bens e contas bancárias desta terem sido arrestadas no fim do ano passado.

 Sonangol vai pagar U$$ 1,4 bi por fatia da Oi na Unitel
Sonangol vai pagar U$$ 1,4 bi por fatia da Oi na Unitel

De acordo com o Expresso, na maior operadora de telefonia móvel do país, o negócio da venda da participação da Oi à Sonangol está fechado, comprometendo-se a petrolífera angolana a pagar U$ 1,4 bilhão de dólares reclamados pelos brasileiros. Desse montante, 750 milhões seriam dos dividendos que a Oi tem direito a receber Unitel.

A operação de compra da Oi, segundo apurou o Expresso, terá o suporte financiamento de um sindicato de bancos liderado pelo Charter Bank de Londres. Para cobrir a outra parte, a Sonangol recorrerá aos dividendos que, através da MLStelecom, recebeu da Unitel ao longo de anos e que, até 2018, totalizam 1,3 bilhões de dólares.

A posição do Estado angolano na Unitel sairá reforçada com a introdução da figura da golden share no ordenamento jurídico

Apesar de permanecer com 25% de participação na Unitel, com o arresto imposto pelo Tribunal Provincial de Luanda, Isabel dos Santos ficará de mãos atadas, deixando de ter qualquer margem de influência na gestão da empresa. “Perde o controlo da sua galinha de ovos de ouro”, reconhece um acionista da Vidatel. E, no futuro, a posição do Estado tenderá a sair reforçada com a introdução da figura da golden share no ordenamento jurídico-econômico de Angola.

“Esta proposta do ministro dos Petróleos representa um verdadeiro xeque-mate nas aspirações de Isabel dos Santos ou de quem queira desafiar o Estado”, refere uma fonte governamental.

A compra dos 25% da Oi está sendo vista como uma forma da Sonangol ajudar a pôr fim ao longo clima de impasse gerado pelo conflito que opunha Isabel dos Santos à operadora brasileira. A sentença foi decretada pelo Tribunal Arbitral de Paris depois de a Oi ter entrado com um processo de recuperação judicial em 2016. Em causa estava o bloqueio imposto por Isabel dos Santos à transferência dos dividendos em dólares da Oi.

O arrastamento desta situação por vários anos acabaria por provocar uma divisão aparentemente insanável entre acionistas detentores de partes iguais: 25% cada. Com a Sonangol do lado da Oi e a Geni do general Leopoldino Nascimento aliada à Vidatel de Isabel dos Santos, os sucessivos desentendimentos entre os acionistas em torno da indicação do presidente do conselho de administração acabaram, nos últimos dois anos, por acirrar ainda mais a crise diretiva na operadora. A última investida destinada a ultrapassar o impasse voltaria a falhar em junho do ano passado quando Isabel dos Santos propôs a compra da participação da Oi por 850 milhões de dólares. “Esta proposta foi liminarmente rejeitada”, recorda ao Expresso fonte da operadora brasileira. À espreita, a Sonangol colocou de imediato em cima da mesa a oferta dos mais de 1 bilhão de dólares exigidos pelos brasileiros.

A Sonangol, em profunda crise de tesouraria, ainda bateu à porta do russo Gazprom Bank para financiar a operação, mas as exigências eram incomportáveis. “Os russos pretendiam atirar a operação para março, mas isso não satisfazia os brasileiros”, explicou fonte do Ministério dos Petróleos.

Fonte: Jornal Expresso