Sonangol quer que Oi abra mão de R$ 2,6 bi para poder fechar compra de fatia na Unitel

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A estatal Sonangol manifestou publicamente na semana passada o seu desejo de comprar os 25% que a Oi (OIBR3) detém na operadora de telefonia angolana Unitel, porém de acordo com fontes ligadas a imprensa portuguesa, um pequeno detalhe estaria travando o negócio.

Sonangol
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A Sonangol estaria disposta a desembolsar US$ 1 bilhão de dólares pelos 25% da PT Ventures, subsidiária da Oi na Unitel, porém com a condição de que a companhia brasileira abra mão dos US$ 660 milhões, o equivalente a R$ 2,6 bilhões que tem direito a receber da Unitel referente a dividendos não pagos durante a gestão de Isabel dos Santos.

A Unitel, conta com quatro acionistas com partes iguais de (25%): a Geni, do general Leopoldino do Nascimento (Dino), a Vidatel, de Isabel dos Santos, a PT Ventures (da Oi), e a MSTelecom/Sonangol são os donos da companhia.

De acordo com analistas do banco brasileiro Bradesco BBI, a venda esteve prestes a ser finalizada no final de 2019, mas o tradicional período de férias e a complexidade do negócio empurraram a operação para janeiro.

“Não podemos deixar de ter em conta o impasse que se regista ao nível da gestão da Unitel e o fato do pagamento exigido pela PT Ventures ter de ser partilhado por todos os acionistas da Unitel. Seremos o elo mais vulnerável e ainda que assumamos, numa primeira fase, o compromisso de pagar a totalidade do que é exigido, teríamos que esperar por tempo indeterminado até que, após a distribuição dos dividendos, os outros acionistas devolvessem o que nos é devido. Tudo isso tem de ser levado em conta mas o assunto não deixa de estar em cima de mesa”, disse o presidente da petrolífera em recente entrevista ao Jornal Expresso.

Oi tem direito a receber R$ 2,6 bilhões da Unitel

Oi ganhou no ano passado na Câmara de Comércio uma disputa travada contra a Unitel, operadora angolana, desde 2015. A operadora brasileira, por intermédio da sua subsidiária PT Ventures (detentora de 25% do capital da companhia angolana), receberá US$ 660 milhões, o equivalente a R$ 2,6 bilhões. Além do dinheiro, a Oi também poderá indicar a maioria dos membros do conselho de administração da empresa.

A corte arbitral avaliou que os sócios da Unitel, operadora líder em Angola, com mais de 11 milhões de clientes, violaram o acordo de acionistas ao negar á Oi o direito de nomear a maioria dos membros do conselho desde junho de 2006.

O montante de US$ 660 milhões foi referente a três decisões: abusos praticados pelos acionistas da Unitel (US$ 339,4 milhões), dividendos atrasados (US$ 314,8 milhões) e custos processuais (US$ 12 milhões).

A decisão arbitral do tribunal de Paris favorável a oi custará caro para a UNITEL e seus acionistas, uma vez que a condenação é solidária, ou seja, a Oi pode pedir tanto à Sonangol/MSTelecom como à Geni ou à Vidatel cerca de 660 milhões de dólares americanos, acrescidos de juros, sem prejuízo do direito de regresso entre os demandados.