Avenue: Corretora traz Wall Street para investidor brasileiro

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Brasileiros já podem comprar ações diretamente em Wall Street, mesmo se não forem investidores qualificados ou milionários. Essa é a proposta da Avenue Securities que entrou em operação no final de novembro do ano passado, após uma cerimônia de toque de campainha na Nasdaq.

Fundada pelo ex-XP e fundador da corretora Clear Roberto Lee, a Avenues disponibiliza a brasileiros a compra de ações diretamente de Wall Street. O intuito da empresa é conseguir chamar atenção dos investidores que não são milionários, que, nesse caso, já têm diversas opções dentro do próprio mercado norte-americano.

Foto reprodução

“O cliente vai fazer um cadastro e transferir os recursos para a Avenue Brasil, que opera como um app de meios de pagamentos. Depois que receber o dinheiro, o app transfere os recursos imediatamente para Avenues Securities, a corretora sediada em Miami, e o cliente conseguirá ver qual é o seu saldo em dólar”, disse Lee ao portal “Exame”.

Mas o empresário aconselha que o passo de diversificar a carteira a nível internacional só deve ser dado com a experiência necessária.

Inicialmente, a empresa está disponibilizando ações e ETFs, que têm maior liquidez. Aliás, enquanto no Brasil a B3 dispõe de 15 ETFs, os EUA são mais de 2 mil.

A operação é possível por causa da tecnologia blockchain, sistema que permite o registro de dados em blocos digitais de informação, à prova de violação de terceiros. É esse sistema que está por trás das movimentações de dinheiro na Avenue.

A operação também é possível por causa de um aporte milionário recebido pela Avenue da Vectis Partners, empresa de participações de Patrick Ogrady, ex-presidente da XP Gestão, Alexandre Aoude, ex-presidente do Deutsche Bank no Brasil e ex-vice-presidente do banco Pine, e Paulo Lemman, filho do empresário Jorge Paulo Lemman.

Com o aporte, a corretora consegue manter um “colchão” de recursos nos EUA, que é utilizado para cobrir instantaneamente o saldo dos clientes em dólar a partir do momento que eles solicitam a conversão, mesmo antes de o dinheiro chegar por lá.

Vantagens

Além do custo reduzido e do acesso a um cardápio de investimentos muito maior, o investidor também tem a vantagem de se proteger do risco cambial ao investir nos Estados Unidos. Isso porque quando o dólar sobe no Brasil, o investimento feito lá fora passa a valer mais quando for convertido em reais.

“É preciso que a pessoa tenha uma ideia do quanto que seus gastos no Brasil estão ligados ao dólar. O preço do combustível, por exemplo. E aí, recomenda-se que ela aplique o mesmo percentual no exterior, fazendo assim uma proteção à variação cambial”, diz Lee.

Mas o mercado de ações, tanto no Brasil quanto no exterior, é um mercado mais arriscado, não recomendado para quem não tem um perfil de investidor de moderado a arrojado. “A ideia é que a pessoa possa formar um patrimônio de longo prazo com mais opções de investimento. Comprar ativos nos EUA que vão pagar dividendos, rendimentos, em dólares, por um longo período”, explica William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Mesmo se a pessoa desistir do investimento em pouco tempo, a corretora garante que o resgate será possível quase que instantaneamente, levando o mesmo tempo que uma TED bancária. “O investidor pessoa física precisa ter liquidez. Precisa ter o dinheiro disponível o mais rápido possível quando precisa dele”, afirma Alves.

Não haverá um valor mínimo para aplicar na Avenue. A pessoa vai poder colocar e converter para dólar a quantidade de recursos que quiser e também comprar a quantidade de ativos que desejar, sem a determinação de prazo mínimo para manter a aplicação.

Além disso, na hora de converter o saldo em reais para dólares —operação que será feita através do parceiro Banco Bexs—, a taxa de câmbio poderá ser menor do que a praticada naquele momento pelo mercado, já que ela não será definida com base no aporte individual de cada cliente, mas sim a partir de volumes maiores, de vários clientes juntos.

A corretora, porém, deve cobrar um spread para poder disponibilizar o saldo em dólar instantaneamente, já que vai utilizar seu “colchão” de recursos nos EUA para isso. Sobre as operações de compra e venda de ativos, a Avenue vai cobrar uma taxa de 5 dólares por ordem feita, um pouco abaixo da média do mercado americano, que gira em torno de 6 dólares por operação.

Ao aplicar nos EUA através da Avenue, o investidor brasileiro será tratado como não residente no país, ou seja, deverá declarar os investimentos à Receita Federal no Brasil. A corretora terá uma ferramenta para gerar mensalmente o Carnê-Leão que deve ser pago pelo investidor que auferir ganho de capital no exterior naquele período.

A Avenue, porém, é uma corretora americana, que recebeu licença das autoridades regulatórias dos Estados Unidos para funcionar e deve respeitar as regras do mercado de lá. O SIPC (Securities Investor Protection Corporation) é um mecanismo parecido com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) brasileiro que garante ao investidor o valor aplicado, limitado a 500 mil dólares, no caso de quebra de uma corretora americana.